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O DEVANEIO DO LIMITE

Atualizado em 12/05/16 16:53.

Este projeto de pesquisa propõe-se a desenvolver algumas questões apenas enunciadas na minha tese de doutorado realizada na Universidade de Paris III - Sorbonne Nouvelle em cotutela com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, sob orientação de Philippe Dubois e de Consuelo Lins. Nessa tese, dedicada á representação da saudade no âmbito da fotografia contemporânea desde a década de sessenta, buscava-se perceber como esse sentimento podia se manifestar tanto temporalmente quanto espacialmente no campo da fotografia. Esboçam-se ai dois eixos maiores que merecem, a meu ver, ser mais aprofundados. Pretendo assim discutir o projeto que toda uma tradição utópica empreendeu e que consolidou, desde o final do século XVIII, uma interpretação singular dos afetos ligados às características do rosto e do corpo através de suas diferentes representações iconográficas. Tal projeto foi inspirado pela fisiognomonia de Johann Kaspar lavater e Rodolphe Töpffer, cujo método dedutivo, fundado na ideia da observação dos caracteres físicos de um indivíduo, legitimou o uso científico particularmente presente no campo da fotografia. Comentarei igualmente alguns elementos que oferecem uma abordagem pertinente da constituição de uma obra, como a questão da fisiocromia ou seja, um fisionomia das cores e das suas funções potenciais. Proporei assim uma análise iconográfica, à qual pode ser adicionado o estudo dos possíveis valores táteis de várias imagens contemporâneas. Particularmente evocados pelo crítico de arte Bernard Berenson, ao referir-se à percepção háptica que nós podemos ter a partir da representação de um objeto por meio da nossa imaginação, esses valores são buscados e concebidos por Gilles Deleuze como parte constitutiva de uma lógica da sensação. Esta pesquisa privilegiará como base as próprias imagens contemporâneas. Pretendo, dessa maneira, entender como numerosos aspectos extremos inoculam-se num conjunto de obras contemporâneas, questionam e põem em xeque as representações convencionais e instrumentais do corpo. Essas obras constituem, em paralelo, um regime poético e formal a partir de posturas que desafiam, ademais, os limites extremos do corpo solicitado. Um corpo que se torna, desde então, como receptáculo da obra em seu processo criativo mais profundo.